Sábado, 13 de Junho de 2009

New morning


Faz um tempo
Eu e as sobras de apelos
Litros de saúde mental
Indo na contra-mão do imediato
Peço um pouco de paciência desinteressada
E encaro como sempre o fim do mundo

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

One more cup of coffee

Adquiri a incrível capacidade de não fazer nada por um par de horas ao acordar. Assim consigo me atrasar um pouco mais e deixar de fazer tudo que eu teria que fazer. Uma vitória, eu consegui desbloquear o celular que eu jurava ter perdido. Mas se me perguntassem, deixaria quieto. A arte do não-fazer. Invejo as pessoas que podem dizer 'bom dia' umas para as outras. Invejo os almoços saudáveis, nada disso é para mim. Depois de vários meses relendo livros que se mostram inteiramente novos parei de me preocupar com isso. Tenho o Neal Cassady inédito na mochila, então aquilo de repetir as histórias era só uma fase e não o processo de envelhecimento a que me referi semana passada. Juvenil. Eu que sempre passo da conta, eu que sempre quero mais e mais de tudo. Melhorei. Tenho matado aos poucos as coisas bonitas antes que elas não sejam mais minhas. A idéia é vencer a corrida contra o tempo.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

A história da menina mais forte do mundo

Decreto este como o dia mais lindo em um ano e alguns meses aqui. Precisei de uma trilha sonora que fosse bem com o céu azul, os 17 graus (uma aposta) e o sol que toca de leve, muito sultilmente os azulejos portugueses da varanda. Miles Davis gravado em CD genérico. Não, eu não estou bebendo champagne no alto de uma cobertura. E não tem Freddie Freeloader. É a camisa xadrez de sempre com a falta de dois botões que eu não sei pregar, um prato de macarrão, havaianas, o copo de requeijão com chá. Também a música que caiu bem para o reparo que eu mesma fiz na persiana emperrada. Um bom serviço de pregos/parafusos e chave de fenda - eu não tenho martelo. A TV no mudo com legendas, saber tudo sobre a mais nova tragédia da aviação mundial. As estatísticas não mentem. E daqui a pouco, o trabalho dos infernos e mais um belo dia de declínio parcial de memória. É preciso esquecer e ser feliz de novo.

Ainda posso ser como a garota russa que vi outro dia. Levanta cinco pessoas com os dois braços sorrindo para as câmeras. Ou uma jogadora de rugby semiprofissional. I-me-mine. Aos poucos, acostumada com a hostilidade e a ausência.

Eu devia aceitar a proposta de voltar para Casa com todas as facilidades que me ofereceram. Não sei. Talvez seja hoje o dia que ficará marcado como aquele em que nunca mais voltei. O vício agora é outro: partir. Sempre. Agora, culpem os azulejos portugueses pela minha sobrevida neste lugar. Desde sempre, desde antes, são eles os que mais me querem por perto.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Sobre justificativas e explicações

Me concentro nos tons que o branco de uma camiseta (branca) pode ter enquanto age o sabão em pó. Brinco de misturar com a mão as roupas que já estão na máquina antes do giro completo da 'pré-lavagem', antes mesmo do marasmo do 'molho' quando não há o som agonizante de um troço que te prende no mundo, o seu mundo. Se são as suas peças que se misturam numa guerra louca de aroma, maciez e limpeza, principalmente se é você o autor da arte de tratar bem as peças de roupa. Como se eu pudesse morar ali no balde transparente junto com o OMO, o Confort, o maravilhoso Vanish em pó na camiseta branca. A misteriosa paz interior na contemplação das peças separadas pelos pregadores no varal. Deve haver qualquer segredo.

Fora daqui, um mundo de hipocrisia e solidão - ah, as pessoas como bichos, as pessoas e os bichos. Onde estará o nosso fim? Entre o varal e o resto todo, eu escolho as experiências químicas, o cheiro de amaciante e o céu azul.

Sobre quando o copo amanhece na minha mão, os bêbados e as putas dividem espaço com trabalhadores do dia. Sobre quando eu não sei quem sou no meio da confusão de gente-goiaba, bruxas de verruga no nariz, fumaças. E pessoas que talvez o cigarro tenha desunido antes de tudo. Sobre momentos de não-solidão. Não posso dizer muito, apenas agradeço o fato de eu poder existir também sob olhares e opiniões que me fazem querer viver mais dez minutos e ir contra as previsões de não-vida. Opiniões randômicas, é só o que posso oferecer em troca.

O drama segue, eu volto para a lavanderia. Um erro, dois erros, um milhão de erros que se justificam. Talvez sejam como as roupas que separamos: coloridas, velhas, novas, os pares de meia. E a camiseta branca.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Déjà vu

Volto aqui aparentemente sem motivo. Volto porque quero, porque sei viver. Porque não resisto à vida. Coragem, sempre. Sinto falta, a minha memória auditiva e suas contradições, quero sim o silêncio de volta. E me ocupo em viver essa minha vida sem qualidade, mas de muito bom gosto. Sem pitangas a se chorar, é assim que me ensinaram. Enfrento o próximo passo e não me envergonho de desaparecer das fuças, vistas, isso aí, as pessoas. Até tentei, mesmo que as previsões, que só funcionam para iguais, tão acertivas previsões, me digam para desviar disso aí. Acredite, uma luz insiste. Não duvide, mentira. Não é mal desejar uma outra vida. Exceto que não há garantias. Me deixo em paz, me faço dormir 15 anos se quiser. Não sei.

Take what you have gathered from coincidence. Leave your stepping stones behind, something calls for you. Forget the dead you've left, they will not follow you. Strike another match, go start anew.:. And it's all over now, baby blue.

Sábado, 16 de Maio de 2009

Bom dia

Trouble in mind, i'm blue
but I won't be blue always
'cause the sun is gonna shine
in my backdoor someday



Nem sempre é Nina Simone, nem sempre é Jack Daniels

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Irresistível é apostar errado

Eu, que nem tive tempo de recuperar A mulher mais linda da cidade. Em todo caso, eis: "já discuti isso com um amigo meu que tem muitos anos de hipódromo. com ele acontece freqüentemente a mesma coisa, que denomina de 'vontade de morrer', o tipo de troço antigo (...) o cara realmente cansa, à medida que os páreos se sucedem, e não resta dúvida de que EXISTE uma certa tendência de jogar tudo pela janela. há uma sensação que pode sobrevir, independente de ganhar ou perder, e é aí que se começa a apostar mal".
Eu, que já sabia não haver para mim as palavras de um soneto. Engraçado como faço questão de caminhar para essa morte. Ao menos não uso palavras alheias. Meu estomago, meu.
Isn't it a pitty. Isn't it a chame