Eu que nunca gostei de espelhos - o único que tenho aqui veio junto com o apartamento - agora mesmo, por acidente, vi meu reflexo no vidro da janela e achei bem razoável. A imagem borrada, nada digital, analógica e meio, hum, dupla. Não, hoje eu não estou escrevendo bêbada. Eu mesma que sou contra os antibióticos que impedem os goles livres, acabei me consultando na farmácia e optando por qualquer coisa que fizesse a minha garganta parar de doer e ser nojenta comigo.
E eu mesma que fui contra a lei antitabaco brasiliense, agora bastante aprovo a democracia (sim, por conceito esta lei paulistana é democrática) européia. É civilizado que não se fume em ambientes fechados, é bem civilizado que se aumente o preço dos cigarros também. Não parei de fumar, no entanto. Sigo com pontos a menos. E como bem me ensinaram os cheiradores do mais puro pó, as bitucas vão junto com o lixo reciclável para não virarem dejetos do rio preto. Troco todos os lugares cheios de pessoas saudáveis (vazias, vazias) pelo quarto com vidros mágicos que de tão antigos que devem ser, duplicam graciosamente o meu rosto. Porque sou superbonita aqui esperando. E fumo o quanto quiser.
Eu mesma que era contra esperar qualquer coisa. E agora também os carros terão airbags de fábrica. Uma maravilha para a nossa previdência & serviço de saúde. Ei, você, é proibido morrer. Vamos dificultar a vi-da. Vamos prolongar a chatice infinita - que tal um pouco de exercício físico por dia? Vamos fumar os carros: com IPI reduzido, por pouco a compra diária de cigarros pode virar prestação mensal de um 2.0. Ou acelerar contra um muro para testar se o airbag é tão legal quanto dizem. Afinal, esta é a minha evolução de não ser mais contra o que for contra o que eu era.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
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