((Ou: eu que não insisto, eu que odeio existir))
Agora que eu já decorei seu rosto,
faça o favor de ficar mais um pouco.
Você tem o prazo de uma garrafa cheia pra ir embora
ou pra chegar, não importa
Mais que isso é melhor nem aparecer, te digo
Tá eu sei, minha tarefa é esperar
até quando eu quiser e fim
É sempre um caos porque quando preciso de um ouvinte, o que me resta é a TV a cabo. Se ao menos o filme do Nicolas Cage não tivesse no fim, certeza que ele me ouviria. Não sei fazer silêncio, nem querendo. A gente sente a vida nua e crua e corre pro bar. Também isso já me aconteceu. A sensação de abandono que acomete àqueles com um punhado de neurônios & (hum mil) coração. Coisa mais normal do mundo, então foda-se. Já me disseram que eu sou incapaz de amar as pessoas e que amo mesmo o amor. Ainda hoje me elogiaram as covinhas, o sorriso não sei das quantas. Em outros tempos já me disseram que eu saboto tudo e que uso os amigos alheios, invado espaços sem ser convidada. A incrível capacidade de não decorar nada, memória de peixe, gosto duvidoso. Acho que sofro da síndrome da falta de espectadores e/ou ouvintes, pode ser também. Eu tenho tantas qualidades, puxa vida. O fato é que eu não sei o que fazer com tudo isso. Sendo ridícula, talvez.
E esse tom confessional, de onde é que tirei isso? Ninguém vai morrer agora, que exagero. E porque será que eu me convenci do poder de prever? Eu acho que é muito mais uma capacidade de aprendizado (campanhia, recompensa, campanhia, choque) do que algo místico e além do alcance. //I hear in my mind
O desafio é me livrar daquilo que sustenta as horas do meu dia, aí não haverá diferença, aí não haverá a angústia de depois das onze horas, a sensação de fim do mundo e a constatação fatal: ninguém espera por você. Um milhão de reais para quem conseguir esperar. Mas. Uma hora a gente se engana e eu vivo querendo estar errada, juro. E falta um monte para as três. Antes de tudo, a Vontade. Tem quem se faça de difícil, eu me faço de fácil. A Rita Hayworth, fácil.
Odeio a sua cidade quando eu não existo nela. Odeio mais quando todo mundo já resolveu o que fazer da vida e eu simplesmente cheguei atrasada e não consigo me incluir em absolutamente nada. A arte de desaparecer bem quando ah, esquece que eu já esqueci. Ainda serei eu, como você falou na mais profunda lucidez, uma história (mais uma, mais uma) a se contar. Como a Nina Simone bem diz, goddammit
domingo, 26 de abril de 2009
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