segunda-feira, 27 de abril de 2009

Eu gosto assim

Tá bom, eu não descobri a cura de nada nem uma fórmula revolucionária. Mas eu adoro a sua cidade quando eu consigo saber onde estou. Quando eu consigo o melhor itinerário, o melhor jeito de voltar para casa sozinha. E a sensação é de pertencer. Eu sei onde estou. Minha cabeça e o meu corpo no lugar certo. Se eu tivesse como, passaria o resto dos meus dias a organizar caminhos. Hoje foi bem assim. Acordei cedo e descobri onde fica o Morumbi. Não no mapa, mas na vida real. Senti vergonha alheia dos carros gigantes ocupados por mulheres mais velhas deixados com o manobrista na porta do supermercado de uma rede que eu nem sabia que existia. É mais que o Pão de Açúcar, sabe. Acho que corei com o "obrigada, viu?" da senhora que entrou no carro e ficou esperando o menino colocar as compras. Eu sempre achei que a gente mesmo colocava as compras. Não entendo a proporção, não consigo ver a lógica dos carros gigantes. Será que o IPVA de todos eles está pago?

E as casas, bonitas; eu não precisei pegar um táxi. Sim, sou um gênio. E o ônibus direitinho que me deixou quase em casa, A Morte Feliz que acabou no meio do caminho e foi tão como deveria ter acabado, é assim, uma história linda demais e tão importante termina sem querer no meio do caminho, com o mundo funcionando todo ao redor (de manhã o mundo todo funciona) e ninguém tem idéia que o Mersault morreu e entendeu tudo, eu entendi tudo. Com a sacola da enfermeira no colo, tentei ainda economizar as letrinhas e nem consegui. Acaba quando tem que acabar então.

E na parte de caminhar, troquei o sapato que aperta pelo vermelho, mais macio e mais velho. Levei na mochila porque a tolerância do meu pé é mínima. Recebi ainda um par de olhares repreensivos sobre o meu cigarro. Um deles enquanto trocava de sapato. Mas no meio da rua eu ainda posso fumar. A menina pálida-e-chata-vai-cuidar-da-sua-vida não deve ter visto direito a notícia. Porque eu ainda posso fumar na rua. Mesmo que seja a rua das casas gigantes e estúdios de TV.

.:.Sobre quando eu faço drama, sobre quando eu tenho uma cara meio de assustada, sobre quando eu quero escândalo ou elogio (confetes, confetes), sobre quando eu sonho ruim, sobre quando não aguento mais beber. É tudo porque eu ainda estou meio perdida, procurando o melhor caminho, sempre.:.

0 comentários: