quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Alergia, alegria

Bem agora, meu pé no chão, eu começo a entender o mundo físico. Além das lições básicas ônibus-lotado-chuva-fome-frio do que se pode definir como uma eterna segunda-feira de manhã, agora vem aí uns boletos incríveis que te quebram as pernas e te deixam assim, meio lerdo, meio triste. IPTU, condomínio, luz, cartão de crédito com prestação de geladeira. Aos montes eles chegam por debaixo da porta. Agora dormem do meu lado, no criado-mudo. Era tudo tão óbvio, mês de fevereiro. Eu quase começo a entender as filas de banco, os congestionamentos desesperados em direção à praia, as disputas pelos livros mais vendidos na época do Natal, os leitores de Veja, entusiastas de Sex and the City. Porque agora eu mesma entendo Saramago, confundo Adorno com Walter Benjamin, penso em parar de fumar e fazer ioga (gratuita, será que tem?). Assim, assim mesmo eu sei o que significa envelheço-emburreço-empobreço. E era tão óbvio que isso ia acontecer. Só se espantam os otimistas. Os incríveis boletos parecem suspirar enquanto (não) decido. Ainda que eu me recuse a fazer uma tabela no excel para calcular tudo. Ou que nunca tenha tido coragem de comprar uma pasta de plástico e etiquetas para documentar uma longa vida de pagamento de impostos e contas. Um otimista, acima de tudo, se recusa a receber conselhos sérios, práticos, alarmistas. E ainda tem o eterno coração partido.

2 comentários:

DB disse...

eu sempre espero chegar um irmao gemeo desses papeizinhos para poder pagar. qdo a energia de janeiro se junta aa de dezembro, eu pago a de dezembro, qdo o gas de dezembro se junta ao de novembro, eu pago o de novembro...e assim sucessivamente.

Mário Coelho disse...

Eu guardo tudo numa caixa de papelão, como a dona da padaria do "Mais estranho que a ficção". É uma bagunça, mas fica tudo lá.