sábado, 24 de janeiro de 2009

Todo dia mais, de novo

Eu tento, mas às vezes é complicado. Porque agora mesmo me mandam não pensar e esquecer os romantismos (mas essa não era a graça?) para poder então me dedicar ao meu corpo, tão poderoso o corpo sem a mente (hein?). Na minha sessão superespecial de shiatsu milanês (Pádua, Roma, whatever) e eu me sinto bem, mesmo que ainda pense e tal. Mas qual é mesmo o problema de pensar? Acho tudo muito estranho quando não. A parte do pezinho sensacional parte de pegar no meu pé. Eu sei, e me sinto bem cumprindo a tarefa incrível de obedecer aos meus próprios mandamentos, cumprindo as minhas promessinhas de fim de ano. Sei que me senti bem melhor, um buda calçado à procura de um taxi no meio da tarde, aquela tarde mormaço, ao todo R$ 100. Meus. E dessa vez sem voar nenhuma notinha pela janela, apenas a oportunidade de cumprir aquilo que prometi de cuidar de mim. E o whisky e o cigarrinho foram muito melhores depois. Me parece que vale a pena. E bem agora que eu resolvi aprender a apagar a luz e deitar sozinha, nada mais me atinge. Não. Agora eu tenho cãibras no dedão do pé torto e depois normal dormente. E eu nem posso levar essa dorzinha para casa e construir em volta um lugar para guardar seja lá o que for isso. O romantismo que temos que deixar de lado. Não vai dar. Mas qual é o maldito problema em ter essa existência medíocre sem me encherem a porra do saco? Eu não quero nada para me fazer não precisar de ninguém e desligar a luz sozinha pra ir dormir. Compreende? Às quatro da manhã uma pessoa morre de câncer no bolso esquerdo da minha mochila encardida. Nada posso fazer, espero. Apenas. Amigo, esta é uma causa perdida.

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