sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Some odd, very strange

Tem um homem dentro do teto da redação. Eu juro. Ah, e o banheiro feminino foi interditado. Parece que estão quebrando lá também. E o nerd estranho que eu acho que um dia virá trabalhar com uma AK 47 resolveu fumar um cigarro deitado no sofá do fumódromo. Ele tá sempre lá, nunca deu nem bom dia - aliás, quer saber se uma pessoa tá puta de trabalhar de madrugada? Fale "boa noite" às 2h e espere a resposta. Que nem quando você vai comer um cachorro-quente depois do boteco. Você é o milionésimo desocupado que aparece e o cara vai sempre dizer "bom dia". Que nem quando você está encrencado às 4h da manhã, very drunk indeed, e o taxista tasca um "bom dia". Isso é de deprimir. Então. O cara continua dentro do teto aqui a dois passos de mim. Um cano a reparar, ele podia falar mais baixo pelo menos. E fumei todo meu cigarro sem que o rapaz do fumódromo se movesse.

Por falar nisso, e eu que não tiro da cabeça uma mulher que me parou na rua para vender uns pães naturebas trangênicos x? A Eva. Do nada a velha pega no meu braço (eu com o cigarro e o isqueiro na mão, esperando o vento parar) e diz que eu tenho que me amar, parar de comer carne e me amar. Tentei fechar o punho o mais rápido possível, mas não deu. Na hora ela reparou. E disse que a gente, quando fuma, não fuma sozinho. Sabendo o que vinha a seguir, expliquei que tento fumar em locais abertos, que é pra ninguém fumar comigo. Eu ainda estava rindo. Mas ela insistiu que os espíritos do mal inalam a fumaça, que eu tinha que parar de atrair os maus espíritos. Não fode, velhinha. Eu tenho essa cara de pateta, eu sei. Mas isso não é inspiração para senhoras malucas. É só a minha cara. Vaza. Por fim, ela falou que eu tinha que me amar mais, que nada era por acaso (sim, minha senhora, tá tudo dando errado, eu tô sim me sentindo só e pobre e arrependida, sem fé e blá), que eu poderia atrair forças do mal sendo assim e que era pra me cuidar e me amar e parar de sofrer.

Tá. Me arrastar à força pro salão do shopping (shopping) e cortar as pontas do cabelo - dois dedos que é pra ir mais rápido - serve? Ela falou que eu não ia esquecer. A desgraçada não me sai da cabeça; cena infernal. E esse texto não faz o menor sentido agora. Eu acho que o teto vai despencar.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Eu coração Holden Caulfield

Meu discurso é infinito, indizível, impopular. Não vejo problema no tédio, não vejo problema em dizer o tédio. E isso não é odiar, isso não é fazer drama. Nem custava muito as pessoas fazerem músicas divertidas, escreverem coisas legais, dizerem um pouco mais que o óbvio. O mundo é assim, como se fosse um enorme saco de batatas, mil blogs desatualizados. Ou um caixa eletrônico com cédulas de R$ 50, inabaláveis 8ºC, um emprego de madrugada, um programa de TV em horário de trabalho, uma conexão que não funciona, um pisão de pé de deixar marca, um infinito papo de manicure do Sudoeste. Sabe o mundo? Fungo, nódulo tumoral, gente chata, plantão, eleições municipais, autoajuda a perder de vista. E eu, sem inspiração, só quero poder reclamar em paz.
Em tempo: caguei pro Saramago. Caguei.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Homeless meet homeless

Tenho tentado, na última semana, alugar um apartamento. Mas isso é detalhe. Ainda mais quando as coisas ameaçam dar errado, e depois dão certo, errado de novo. Reviravoltas dignas de E o vento levou. Ontem, por exemplo, tudo começou a dar errado quando eu percebi que precisaria de dinheiro vivo. Como perdi o cartão do banco e o outro ainda não chegou, tinha como única opção dar um cheque de mim para mim mesma. Mas como a vida não está fácil, não seria em qualquer agência. Para adiantar os trabalhos, resolvi ir ao centro de táxi, confiando que os únicos R$ 5 que eu tinha seriam suficientes. A corrida terminou com "olha aqui, mocinha, eu não tô de brincadeira e não vou esperar ninguém. A corrida deu oito reais, vai passar pra nove e eu não sou palhaço". "Mas moço, eu vou sacar, é um minutinho". "Eu trabalho, minha filha, não sou igual a você e odeio gente folgada". "Olha, o senhor deve estar muito fodido mesmo pra me tratar assim por causa de dois reais, toma aqui tudo que eu tenho e pode parar o carro". "Ah, eu eu trabalho também, viu? e muito, seu...".

Lágrimas em frente ao Copan, uma cena que comoveu um camelô que logo veio perguntar se era assalto. Tudo explicado pro Sebastião, agradeço, entro no banco, dinheiro na mão, atravesso a cidade para ter a vida vasculhada por uma mocinha de 90 quilos e o maior bigode do mundo. Tudo por um seguro-fiança. Depois do almoço, na porta do mc donald's, um velho de cadeiras de rodas, todo imundo, me pede pra completar o dinheiro pra comprar um sorvete. Não, aquele simples não, mas um com bastante cobertura. Enfrento a fila gigante, completo com umas moedas e toma, o seu sorvete. Ele agradece e me explica que faz parte de uma associação de moradores x da terceira idade, que não tem dinheiro pra muita coisa, aquele papo de sempre. Eis que, não mais que de repente, surge o falso dublê do Lebowski, chama meu mais novo amigo pelo nome... olha na minha cara e diz: vc é a ana, né? Pronto. Ainda bem que ele não resolveu perguntar o que eu achei sobre o futuro livro dele. Me despeço agradecida.

Mais tarde, enquanto exploro toda a variedade do bandejão do jornal e escolho macarrão com feijão e frango e digo oi para meio mundo, o Rafa diz "nossa, daonde você conhece esse povo?". Sei lá. Homeless são legais, copeiras, motoristas e vigias idem, corretoras de seguro são feias pra cacete e, bem, pro inferno os taxistas malufistas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Eu juro que faz todo sentido

O mundo está para acabar*. O jornalismo megalomaníaco do qual faço parte ainda acha isso relevante - caso aconteça o razoável, ou seja, nada. Afinal, se o mundo for engolido no túnel de aceleração de partículas, como é que vão fazer jornal? Mas pensa bem se os caras erram lá na vírgula do binômio, pensa se eles esquecem um zero e, bem, tudo seja engolido e vire um grande nada, que, periga, será ainda alguma coisa diferente do que existe, um não-existir coletivo, de ser nada. Chamem o Gil para escrever, mas não me peçam para levar isso a sério. Nem de brincadeira. Pensando bem, acabando tudo, tudo, vai dar para descansar, esticar um pouco mais o meu não-fazer, para virar um não-ser daqueles, caprichado. E para onde irão as vontades, aquelas lembranças lá no fundo da sua cabeça, das mais banais? Para onde irão os blogs e os MP3? Sei não. Como é sabido, de probabilidades eu entendo; apenas fazendo (o modo de fazer) questão de não ter fé nos números. A não ser que você saiba fazer as contas, de verdade, o que você faz com números é acreditar neles, portanto, ter fé. Faltam aí uns quarenta e tantos minutos - esses eu sei contar - e sei lá se fiz tudo o que queria antes de morrer. Porque eu rigorosamente não tenho feito nada além do básico fisiológico & capitalista. Nem boas idéias de não-fazer eu tenho tido. Por pura preguiça. Me preocupa, de fato, o que será feito de tanto infinito nada.
*Update: correspondente já disse que nada aconteceu. Ou não. Todos morreram e isso é um mundo paralelo e tal

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Really really weird

.:.É que nem I´ll be dancing with myself a dez por hora...
Tipo um par de meias furadas tristemente pendurado no varal?
.:.Meio Ben, the two of us need look no more com guitarras.
Não mais ver diferença entre a casa e o trabalho?
.:.É assim, mais como se fosse Non, je ne regrette rien no volume máximo. Sabe como?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Um pouco de talento não me faria mal



Mr Wiggles Loves You

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Look for the silver lining

Limpo o chão da casa com um troço que deixa um cheiro tão bom. Tiro pó de tudo, cada pedacinho da casa, limpo o espelho com um produto especial, arrumo toda a cozinha. E depois? Depois eu sinto como se até o ar tivesse sido despoluído, o tietê cheio de peixes, borboletas coloridas no jardim e tudo. Parece que sirvo mais para isso do que para todo o resto. Desinfetar. Ainda mais quando não quebro nada.

Vem de novo a tristeza solidão saudade de Casa e de sei lá mais o quê ou quem cansaço desânimo dor de cabeça uma vida estragada aos poucos. Mas tem uma idéia bem bonita que não quer mais deixar em paz, uma idéia de existir gente pra me fazer rir e diversão sem chatice sem nenhuma chatice. Essência do Veja na casa e no chão limpo. Sei lá