segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

É cada vez mais incrível

Já estive em ônibus mais cheios. Tão mais cheios que eu pensava que não ia conseguir chegar. Excesso de passageiros, o motor pararia. E ordenariam uma evacuação da parte excedente, problema de quem fosse. Hoje, domingo, eu esperava uns nove, dez gatos pingados. Mas não. Éramos eu, o motorista, o cobrador, uma senhora de mais de 100 anos e um casal. Dispensei os fones de ouvido porque pela primeira vez em meses não teria que me esforçar para ignorar conversas chatas. Mas era domingo de sol, cheio de importantes e decisivos jogos do Brasileirão. E em dias assim, a juventude é feliz. O querido casal a duas poltronas da minha queria esbanjar toda a sua felicidade virginal. Resolveram improvisar um dueto ali mesmo. A plenos pulmões. Pensei por alguns instantes que finalmente os figurantes do Truman iriam me avisar que eu era a continuação do show da vida. Sei lá, alguma mensagem cifrada. Mas era puro amor. No google com "dueto+fama+globo" confirmo minhas dúvidas sobre o que de pior pode haver entre o cérebro e as cordas vocais de um ser humano. Ok, que se cante o amor juvenil. Eles querem ser "Cídiaedan" da 917M-Bairro do Limão, got it. Mas menos, bem menos. Não em público nem tão alto. Passo pelas flores do Araçá e suas arvorezinhas de Natal entre confusa e incrédula. Sigo me equilibrando no sacolejo da Pacaembu, tão bem notado quando os passageiros não estão. Não dá mais para o segundo dueto. Nina Simone cospe fogo e martela o piano numa playlist só dela. Fim de papo.

São tantos os fatos surreais das últimas semanas que ainda devo decidir se paro de fumar, já que mudaram o carlton pra sempre, ou se tento controlar (para mais) as amnésias de dias estranhos, apesar de meigos e tão singelos. O que seria do passado se eu não olhasse para frente? Não se constitui lembranças assim.

1 comentários:

DB disse...

não obstante estar cheio, ainda tem gente cantando. escrevi sobre isso...