quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Parênteses

Dia mais quente do ano - de novo - e eu resolvo me perder e andar quilômetros enfiada na roupa de trabalho. Assuntos que mais ouço em oito meses de existência não motorizada em cidade comum, bem comum: está quente/está frio, amanhã esquenta/amanhã esfria, a rua tal dá mão, a outra sobe/desce, a ponte, o viaduto, a estação, o assalto, a novela.

Ninguém se atreve, nem por cinco minutos, a jogar conversa fora.

E os destemidos pássaros insistem na cantoria a partir das três e meia, ênfase nos agudos depois das quatro. Insônia é odiar os fenômenos da natureza. É dia, é noite, chove, faz calor, esfria. E eu? Sei lá. Nem vi, nem sei.

Despeçam-se dos meus hábitos, tão aflitivos hábitos, maus. Vou de novo me acostumar com paisagens. Tudo de novo, desta vez com mais portas, desta vez mais perto. Eu e minhas três caixas médias, este lado para cima.

3 comentários:

Leandro Galvão disse...

"Braburbaubarasrbruuba... eu odeio odiar" (Smurf Ranzina). Êta menina que resmunga...

DB disse...

ela é uma das poucas que atualiza de madruga e NAO esta bebado, hein!

Ana Clara Jabur disse...

Aqui não rola drink and type hehehe